Educação e Preparação.
No dia 10 de julho de 1509, nascia João Calvino de Noyon, filho de
Gerard Cauvin e Jeanne de La Franc, casal distindo e ilustre, bem relacionado
social e politicamente. Batizado na tradição católica,
teve como padrinho Jean Vatine, cônego da Catedral em Noyon.
Foi educado sob orientação pedagógica de Marturin Cardier,
um dos mestres do latim na sua época, no Colégio de La Marche,
em Paris. Mais tarde foi transferido para Montaignu, atendendo aos propósitos
de seu pai, que desejava fazer de Calvino um clérigo. Em 1528, com
19 anos, deixa o colégio e Paris.
Gerard Cauvin, decide então mandar Calvino para Orleans, a fim de
estudar Direito, o caminho mais seguro para a fama e a fortuna. Se destaca
pela sua inteligência e brilhantismo, deixando Orleans antes de completar
o curso, mas a Academia lhe confere o título de Doutor, pôr
serviços prestados, segundo alguns dos seus biógrafos. Foi
monitor da disciplina em várias ocasiões, tendo oportunidade
de tomar contato com o mundo da antiguidade clássica, tendo sido
tutelado pôr Melchior Wolmar no estudo do grego.
Seu pai, Gerard Cauvin, morre em 1531, tendo Calvino se desobrigado do estudo
do Direito, passando à literatura clássica. Em Paris, em 1532,
publica o seu primeiro livro, uma edição do livro de Sêneca
intitulado "Sobre a Clemência", completada com um apartato
textual e um longo comentário.
A Conversão.
Supõe-se que sua conversão ao protestantismo tenha se dado
no período compreendido entre 1527 e 1534. De formação
católica tradicional, deve ter tido contato com as idéias
evangélicas, talvez através dos escritos de Lutero, que foram
escritos na década de 20, e teve contato com humanistas franceses
evangélicos, como Jacques Lefèvre, Farel, e um seu primo Robert
Olívetan, em cujo Novo Testamento Francês ( 1535 ), Calvino
escreveu um prefácio intitulado "A todos os que amam a Jesus
Cristo e Seu evangelho".
Em 1555, Calvino recordou sua "súbita conversão"
segundo alguns, escrevendo sobre ela no prefácio do seu "Comentários
Sobre Os Salmos", onde declara que "Deus mudou meu coração",
e seu desejo de viver em reclusão para seus estudos, "em paz
em algum canto desconhecido".
A vocação de Calvino.
Em 1533, no Dia de Todos os Santos, Calvino se envolve, como autor ou co-autor,
do discurso proferido pôr Nicholas Cop, médico, amigo de Calvino
e Reitor da Universidade de Paris, onde declara públicamente Cristo
como único mediador de Deus. O seu discurso revela simpatias com
Lutero, e a Sorbonne o repele, convocando o Parlamento. Copp foge para a
Basiléia.
Calvino tem sua casa vasculhada e seus livros apreendidos. Disfarçado
de agricultor foge para Angoulême, onde o cônego da catedral.
Luis Tillet, concede-lhe asilo e põe à sua disposição
a biblioteca, onde provavelmente, Calvino começou a escrever sua
primeira edição das Institutas. Daí vai para Nerac
na Gascônia, visita Noyon sua terra natal, voltando a Paris.
A investida contra os "hereges" na França, devido ao surgimento
dos "Cartazes", em 18 de outubro de 1534, um ataque à missa
e seus adornos, faz com que Calvino deixe o país apressadamente e
encontre refúgio na cidade reformada de Basiléia, onde vem
a publicar a primeira edição das Institutas, através
do editor Thomas Platter, em março de 1536, com o título "O
Ensino Básico da Religião...".
No verão de 1536, Calvino, seu irmão Antoine e sua meia-irmã
Marie viajavam para Estrasburgo, onde esperava estabelecer-se, para seu
antigo desejo de descanso e estudo. Mas a movimentação de
tropas leais a Francisco I e Carlos V, desviam a sua trajetória para
Genebra.
Foi abordado por Farel, que havia levado a cidade a abraçar a Reforma,
numa assembléia pública, em 25 de maio de 1536, votando unanimente
por "Viver de agora em diante de acordo com a lei do evangelho e com
a Palavra de Deus e abolir todos os abusos papais". Farel, o demove
de seus intentos, lhe implorando que ficasse em Genebra, dizendo que Deus
o castigaria por sua fuga comodista à convocação divina;
já que o único desejo de Calvino, era chegar a Estrasburgo,
onde fixaria residência, dedicando-se aos estudos.
Em Genebra, redigiu um manual de doutrina cristã para a Igreja de
Genebra, assumindo diversas tarefas ao longo dos anos, confirma-se a sua
vocação básica de pastor e de mestre. Em 20 de julho
de 1537, o Senado e o povo de Genebra, solenemente declaram sua aceitação
das principais doutrinas e disciplinas da religião cristã.
Quanto a aceitação do catecismo e da confissão de fé,
não houve subscrição individual satisfatória.
O concílio de Genebra percebeu certos desacertos nas medidas tomadas,
e resolveu afouxar as exigências, tomando a si posteriormente, a jurisdição
da comuna em assuntos morais e religiosos, o que contrariava as idéias
de Calvino, que sempre julgou o poder civil incapaz de resolver assuntos
morais e religiosos, os quais deviam caber à Igreja, por suas autoridades
ou consistórios, como mais tarde se veio a fazer.
Em abril de 1538, Calvino e Farel foram expulsos de Genebra. Após
uma breve estada em Basiléia, Calvino se dirige para Estrasburgo,
como no início desejava.
Calvino passou três anos em Estrasburgo, tendo sido convidado insistentemente,
por Martin Bucer para assumir o pastorado dos refugiados franceses. Este
se torna seu protetor e amigo nesta cidade, sendo grande intelectual, personalidade
de alto porte, um teólogo, um espírito equilibrado, de disposição
pacífica e moderada.
Em Estrasburgo, Calvino teve oportunidade de conviver com outras personalidades
e reformadores notáveis, tais como Hédio, Niger, Capito e
Sturm. Lecionava, pregava em dois ou três pontos diferentes, organizando
igrejas, formulando a ordem do culto, da celebração da Santa
Ceia, batizados, casamentos. Cuidou do cântico da igreja, metrificou
alguns Salmos, bem como o cântico de Simeão e o decálogo.
Em Estrasburgo, Calvino publicou um tratato sobre a Santa Ceia, alicerçando
a sua doutrina do sacramento de maneira sólida nas Escrituras, diferentemente
de Zwinglio e Lutero. O trabalho de Calvino, vem a se evidenciar porque
era pastor, professor, escritor e estadista da Igreja.
É nesta cidade que Calvino vem a contrair núpcias com Idalete
de Buren, viúva de um anabatista convertidapela instrumentalidade
de Calvino, em 14 de agosto de 1540, tendo a benção sido dada
por seu amigo Farel. A vida matrimonial de Calvino tem curta duração,
entretanto feliz e cheia de ternura, a despeito dos sofrimentos do casal.
O único filho do casal morreria logo após o nascimento, e
Idalete, em março de 1549, também vem a falecer vitimada pela
tuberculoso. A dedicada e afetuosa companheira de Calvino, é lembrada
por ele como : "Fiel companheira de minha vida, fiel ajudadora de meu
ministério".
Outra vez, Calvino foi convidado a retornar a Genebra, sem Farel. Inicialmente
recusou-se, porque deseja levar a sua vida bucólica, estudando e
desenvolvendo seus escritos, longe dos transtornos. Seu protetor, Martin
Bucer, levanta o tema do julgamento divino - "se você recusar
a retomar seu ministério, estará agindo como Jonas, que tentou
fugir de Deus!!!".
Retorna a Genebra em 13 de setembro de 1541, onde realizou dois atos oficiais.
Um foi apresentar ao conselho da cidade um plano detalhado para a ordem
e o governo da Igreja. As "Ordenanças Eclesiásticas"
exigiam o estabelecimento de quatro oficios, a saber - pastor, doutor, ancião
e diácono, que correspondiam a doutrina, educação,
disciplina e serviço social. Aprovado o plano, Calvino passou o resto
de sua vida tentando executá-lo. O segundo ato, foi a subida ao púlpito
da Catedral de São Pedro, onde começou de onde tinha parado
antes, no mesmo versículo, capítulo e livro da Bíblia.
Em Genebra, Calvino tem a oportunidade de fundar a sua Academia a 5 de março
de 1559, onde adota um programa de ensino unificado - primário, secundário
e universitário. Quando morreu, a Academia contava com 1200 alunos
universitários, além de 300 alunos nos cursos inferiores.
Ele tinha como ideal preparar líderes para a Igreja, a sociedade
civil e para o governo civil.
Em 25 de dezembro de 1559, Calvino é convidado ao concílio
da cidade de Genebra, para aí receber o título de cidadão
da cidade, que passa a ser conhecida como a cidade de Calvino.
Calvino vem a falecer em 27 de maio de 1564, desde seus dias de estudante,
fora frágil e com frequência estava doente.
A OBRA LITERÁRIA DE CALVINO
Existem seis grandes obras de Calvino, que não podem deixar de ser
consultadas para um estudo completo da teologia de Calvino.
1 - As Institutas
É a principal obra de Calvino. A primeira edição em
1536, consistiam em seis capítulos. A edição de Estrasburgo,
em 1539, foi ampliada. Ao todo, Calvino produziu oito edições
do texto latino e cinco traduções para o francês. A
edição de 1539, é aquela que o satisfaz, é uma
obra imensa, aproximadamente do tamanho do Velho Testamento mais os evangelhos
sinóticos. , organizada em quatro volumes, assim distribuídos
:
Volume I :
O Conhecimento de Deus, O Criador; O conhecimento duplo de Deus; Escrituras;
Trindade; Criação; Providência;
Volume II :
O Conhecimento de Deus, O Redentor; A queda, a pecaminosidade humana; A
Lei; O Antigo e o Novo Testamentos; Cristo, o Mediador : Sua Pessoa ( Profeta,
Sacerdote e Rei ) e obra ( expiação );
Volume III :
O Método Pelo Qual Recebemos a Graça da Cristo, Seus Benefícios
e Seus feitos; Fé e Regeneração; Arrependimento; Vida
Cristã; Justificação; Predestinação;
A Ressurreição Final;
Volume IV :
Os Meios Externos Pelos Quais Deus Convida-nos à Sociedade de Cristo;
A Igreja; Sacramentos; Governo Civil.
2 - Comentários.
Como complemento às Institutas, Calvino reportava os leitores a seus
comentários bíblicos. Calvino produziu comentários
sobre todo o Novo Testamento, excetuando-se 2 e 3 João e Apocaplipses,
sobre o Pentateuco, Josué, Salmos e Isaías. Os comentários
de Calvino sobre o Velho Testamento, perfazendo um total de 45 volumes na
tradução inglesa do século XIX.
3 - Sermões.
Calvino foi um pregador e mestre, em uma época em que o púlpito
era o principal meio de comunicação para uma cultura inteira.
Alguns sermões foram publicados durante toda a vida , outros permanecendo
na forma de manuscrito até hoje.
4 -Folhetos e Tratados.
Alguns destes folhetos eram dirigidos contra oponentes teológicos,
como os reformadores radicais os católicos romanos; os católicos
romanos e os luteranos.
5 - Cartas.
Calvino foi corresponde de várias pessoas, reformadores, reis e príncipes,
igrejas, pastores e mártires. As cartas de Calvino o revelam como
teólogo contextualizado, atento às correntes políticas
e sociais de sua época, quanto a assuntos religiosos específicos.
O alcance internacional da teologia de Calvino e a extensào de sua
influência pessoal podem ser captados observando-se suas cartas.
6 - Escritos litúrgicos e catequéticos.
Como pastor, versificou textos em francês para a igreja em Estrasburgo
e Genebra. Ele era consciente de que a única forma de recuperar a
vida moral e religiosa do povo era instruindo-o na "escola da fé".
Elaborou uma confissão de fé e um catecismo para complementar
a obra "A Forma das Orações" em 1542.
BIBLIOGRAFIA.
1 - "Teologia dos Reformadores"; Timothy George; Ed. Vida Nova;
S.P. 1994.
2 - "Calvino - Vida, Influência e Teologia"; Wilson Castro
Ferreira; Ed. "Luz Para O Caminho"; S.P. 1985.
