Nascido de sangue saxônico, perto da Vila de Wycliff, em Yorkshire,
John Wycliff tornou-se o principal porta voz dos patriotas ingleses, através
do período de emancipação política do seu país.
Sua escalada a um lugar de erudita eminência foi rápida. Brilhando
em Oxford, ele foi nomeado capelão do rei em 1366, enquanto recebia
o seu doutorado, em 1374. Contudo, bem depressa voltou suas armas intelectuais
contra Roma, conforme Schaff declara:
Em sermões, folhetos e escritos mais extensos, Wycliff apresentou
a Escritura e o senso comum como testemunhas. Sua pregação
era tão cortante como a "Espada de Damocles". Ele nunca
hesitava em usar a ironia e a invectiva, nas quais era mestre; a objetividade
e a pertinência de seus apelos traziam tudo facilmente à compreensão
da mente popular.
Em sua condenação do abuso doutrinário, Wycliff condenava
a complacência dos últimos reformadores contra os prelados
imorais, excesso de posses territoriais, extorsão religiosa, e heresias
tais como o purgatório, a transubstanciação, o sacerdócio
e a confissão auricular. Poucos eram poupados da "Espada de
Damocles". Ele acusava o papa de ser o Anticristo, o orgulhoso sacerdote
universal de Roma e o mais amaldiçoado dos tosquiadores e caçadores
níqueis. Como os frades de seu tempo eram conhecidos pelo seu apego
"à boa comida e às mulheres" Wycliff depreciava
os seus mosteiros, chamando-os de covis de ladrões, ninhos de serpentes,
casas de habitação de demônios vivos, etc.
Numa linguagem que iria rivalizar com a de Lutero, ele escreveu que os padres:
Roubam o sustento dos pobres, os quais não podem se opor à
opressão; cobram mais alto por um tostão furado do que pelo
sangue precioso de Cristo; rezam apenas para se mostrar e coletam taxas
por qualquer serviço religioso que oficiam; vivem na luxúria,
cavalgando gordos cavalos forrados de prata e ouro; são roubadores...
raposas maliciosas... lobos vorazes... glutões... demônios...
chimpanzés.
Como nenhum país pode crescer além da moral de suas mulheres,
uma narrativa da época demonstra as baixas marcas no barômetro
de todas as mulheres importantes em matéria de pureza (como no caso
de Alexandria):
Naqueles dias havia um grande rumor e clamor entre o povo de que, sempre
que havia uma competição, ali acontecia uma grande afluência
de mulheres da mais alta vaidade e beleza, porém não as melhores
do reino; algumas em número de quarenta ou cinqüenta, como se
fizessem parte dos torneios, vestidas de roupagens masculinas diversas e
maravilhosas, com túnicas ostentando as cores do partido, usando
pequenos bonés atados às suas cabeças, cintos bordados
de ouro e prata e adagas em bolsinhas penduradas ao corpo, com palavreado
grosseiro, que o rumor popular escutava em toda parte; e desse modo, elas
nem só deixavam de temer a Deus como não ligavam para a voz
do povo.
Entende-se que esse declínio moral assegurava à Inglaterra,
pelo menos, uma queda em seu horizonte. O Dr. Green resume:
Era um tempo de vergonha e sofrimento, como a Inglaterra jamais havia conhecido.
Suas conquistas foram perdidas, suas fronteiras insultadas, suas frotas
aniquiladas, seu comércio varrido do mar enquanto interiormente ela
se exauria por causa de longas e custosas guerras, bem como pela corrupção
e pestilência.
Embora a pátria de Wycliff precisasse de arrependimento, seus detratores
religiosos de dura cerviz lhe apresentavam tremenda oposição.
À medida em que se intensificavam suas cáusticas denúncias,
assim também a ameaça de violência física. Para
contrabalançar este perigo o Senhor levantou-lhe um poderoso protetor
na pessoa de John de Gaunt, Duque de Lancaster (filho predileto de Eduardo
e irmão mais novo do melhor conhecido, embora pouco lembrado, Príncipe
Negro).
Quanto mais Wycliff laborava, mais convencido ficava de que sua amada Inglaterra
precisava de algo mais do que seus sermões e folhetos. Precisava
de uma Bíblia! Neste escrito intitulado "The Wycket" (A
Posição) ele exclama com emoção:
Se a Palavra de Deus é a vida do mundo e cada palavra de Deus é
a vida da alma humana, como pode qualquer Anticristo, para o horror divino,
tirá-la de nós, que somos cristãos, e desse modo levar
o povo a morrer de inanição, na heresia e na blasfêmia
das leis dos homens, que corrompem e assassinam a alma?
Por causa dessa necessidade, Wycliff dedicou o resto de sua vida a completar
a primeira tradução da Bíblia inteira para a língua
inglesa. Conhecendo bem o Grego e o Hebraico, primeiro ele embasou a sua
obra em manuscritos latinos. Embora a erudição moderna goste
de frisar a confiança de Wycliff na leitura da Vulgata, uma revisão
posterior da obra por John Purvey, que trouxe de volta a tradução
de acordo com Jerônimo, traz a evidência de que Wycliff teve
acesso aos manuscritos latinos. O abandono posterior de Purvey de Roma acrescenta
uma luz a este assunto.
Apesar da consistência latina, a nova Bíblia representava a
primeira em existência para o povo de língua inglesa.
Como a imprensa ainda não fora inventada, o manuscrito teve de ser
copiado à mão, exigindo um exorbitante custo diário.
(Foram precisos quase dez meses de trabalho árduo de um copista experiente).
A taxa da mão de obra, de uma hora apenas, com essa obra custava
o mesmo que um carregamento inteiro de feno).
Enquanto isso, McClure nos conta que o preço de compra se aproximava
de "quatro marcos e quarenta pences", o qual eqüivalia ao
salário total anual de um clérigo.
A chegada da imprensa cumpriu a estranha profecia:
"Esperemos que o baixo custo da Bíblia jamais ocasione o baixo
apreço pela mesma".
(Os crentes dos dias atuais, infelizmente, podem constatar o cumprimento
desta profecia).
Foxe nos informa:
Tão escasso era o suprimento de Bíblias, nesses tempos, que
apenas uns poucos entre aqueles que suspiravam pelo seu ensino podiam ter
a esperança de possuir o volume sacro. Mas essa escassez decorria
parcialmente da firmeza daqueles, cujo interesse fora despertado pela Bíblia.
Se apenas uma simples cópia era possuída na vizinhança,
esses denodados trabalhadores e artesãos seriam encontrados juntos,
após um exaustivo dia de trabalho, lendo em turnos e escutando as
palavras da vida; e tão doce era o frescor dos seus espíritos,
que algumas vezes o romper da manhã os surpreendia com a chamada
para um novo dia de trabalho, sem que tivessem pensado em dormir.
McClure cita um poema contemporâneo, que descreve esse espírito
de gloriosa libertação:
Mas para compensar todo o dano, o Livro Sagrado,
em poeirento esconderijo guardado tanto tempo,
agora assume o falar de nossa língua nativa.
E o que dirige o arado, ou maneja o bordão,
com espírito de compreensão,
pode agora olhar sobre o seu registro
e ouvir sua canção e examinar suas leis
– mais querendo saber do que errar
qual a fé que tem mantido.
E o céu pôde suportar calmamente
o transcendente favor!
Mais nobre do que o rei terreno
sempre concedido para igualar e abençoar
sob o peso da desgraça mortal.
Uma porção da Bíblia de Wycliff de João 17:1-3
diz:
"Jesus falou assim e, levantando seus olhos ao céu, disse: Pai,
é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o
teu Filho te glorifique a ti; assim como lhe deste poder sobre toda a carne,
para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste. E a vida eterna
é esta: que te conheçam a ti só, por único Deus
verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste". Claro que a reação
católica foi de tremendo pânico! Enquanto um padre se lamentava:
"Agora a jóia do clero se tornou um brinquedo do laicato",
Henry Knighton elaborava:
Este mestre John Wycliff traduziu o Evangelho do Latim para o Inglês,
o qual Cristo havia confiado ao clero e aos doutores da Igreja, para que
o ministrassem ao laicato e aos menos afortunados, conforme a declaração
dos tempos e necessidades dos homens. Assim, por esse meio, o evangelho
se tornou vulgar e mais aberto ao laicato... do que costumava ser para os
mais letrados do clero e os de melhor compreensão! E o que antes
era dádiva principal do clero e doutores da igreja, agora se torna
para sempre comum ao laicato.
Como seria o caso de Martinho Lutero, Wycliff foi providencialmente poupado
do martírio na estaca, sofrendo um ataque, enquanto oficiava na igreja,
com a idade de sessenta e quatro anos, em 1384. Seus inimigos ficaram extasiados,
com o prelado Walsingham "elogiando":
Na festa da Paixão de S. Tomás de Canterbury, John Wycliff
– esse órgão do diabo, inimigo da igreja, esse autor
da confusão entre o povo comum, esse ídolo de hereges, essa
imagem dos hipócritas, esse restaurador do cisma, esse armazenador
de mentiras, esse poço de lisonja – sendo abatido pelo terrível
julgamento de Deus, foi atacado de paralisia e continuou a viver nessa condição
até o dia de S. Silvestre, quando entregou o seu malicioso espírito
nas regiões das trevas.
Contudo, embora a história tinha esquecido o nome de Walsingham,
o nome de Chaucer tem sobrevivido, talvez em razão do seu memorial
a Wycliff:
Ele foi um grande homem da religião;
Ele foi uma personalidade
que chamou a atenção de uma cidade.
Mais rico ele foi de sagrado pensamento e realização.
Era também um homem letrado, um funcionário
que o evangelho de Cristo verdadeiramente quis pregar.
Este nobre exemplo às suas ovelhas ele deu
de primeiro praticar para depois ensinar.
Um pastor melhor não existe em parte alguma.
Ele não gostava de pompa nem de reverência,
nem jamais lisonjeou qualquer consciência,
mas pregou a Cristo e seus doze apóstolos.
Ele ensinou, mas primeiro ele mesmo praticou.
Como um interessante aparte, a influência de Wycliff pode ter sido
um fator na última renúncia de Chaucer das obras de sua vida
– "The Canterbury Tales, Troilus and Criseyde", e "The
Book of the Duchess" - como " vaidades do mundo" tendo expressado
a preocupação de que "eu devo ser um daqueles do tempo
da condenação, que serão salvos."
A ira dos nicolaítas explodiu em 1410, com o seguinte decreto sendo
levado ao Parlamento:
Nosso soberano senhor, o Rei... pelo consentimento dos estados e de outros
homens discretos... reunidos no Parlamento, tem concedido, estabelecido
e ordenado que nenhum dentro do... reino, ou de quaisquer outros domínios
sujeitos a Sua Majestade Real, presumirá pregar aberta ou secretamente,
sem primeiro procurar e obter a licença do diocesano local, sempre
excetuando os curas em suas próprias igrejas, pessoas que até
agora têm sido tão privilegiadas, e outras permitidas pela
lei canônica; e que, a partir de agora, ninguém, quer aberta
ou secretamente, deve pregar, manter, ensinar ou instruir ou produzir ou
escrever qualquer livro contrário à fé católica
ou à determinação da Santa Igreja, nem permitirá
qualquer (Lolardo) seita organizar reuniões (ajuntamentos desorganizados
para adoração) em parte alguma, ou de qualquer maneira conservar
ou manter escolas com as suas malignas doutrinas e opiniões; e também
que, daqui para a frente, ninguém, de modo algum, favoreça
qualquer pessoa que pregue dessa maneira, informe ou excite o povo... E
se qualquer pessoa dentro do reino e domínio for condenada por sentença
diante do diocesano local, ou dos seus comissários, por essas mencionadas
pregações malignas, doutrinas, opiniões, escolas e
instrução herética e errônea, ou se qualquer
uma delas, se recusar devidamente a abjurar a mesma... então o xerife
do condado... e o prefeito e os xerifes ou xerife, ou o prefeito e os oficiais
da cidade, cidadezinha ou condados agregados... mais próximos do
dito diocesano e seus comissários... receber, após terem sido
proclamadas essas sentenças, essas pessoas... isso poderá
levá-las a serem queimadas diante do povo em local de destaque, a
fim de que esse castigo possa desencadear o medo nas mentes dos demais,
para que nenhumas doutrinas malignas e heréticas e opiniões
errôneas contra a fé católica a lei cristã é
a determinação da Santa Igreja) nem os seus autores e favorecedores
sejam mantidas... ou de qualquer forma toleradas.
No ano de 1415, o Concílio de Constança determinou que os
livros e ossos de Wycliff fossem queimados e suas cinzas atiradas no rio
Severn (que desaguava em sua cidade). Thomas Fuller observa:
Desse modo, este pequeno arroio levou suas cinzas até Avon, de Avon
até Severn, de Severn até os estreitos mares e destes até
o mar aberto. E assim, as cinzas de Wycliff são o emblema de suas
doutrinas, que agora estão dispersas pelo mundo inteiro.
Por causa desses editos, muitos Lolardos piedosos não tiveram a mesma
sorte do seu afortunado pai. Os registros dos perseguidores locais nos contam
de grupos se reunindo, aqui e ali, para ler "num grande livro de heresias,
a noite inteira, certos capítulos dos evangelistas em inglês".
Foxe acrescenta:
Os Lolardos eram levados a locais ermos e não freqüentados para
se encontrar, muitas vezes sob as sombras da noite, a fim de adorar a Deus.
Vizinho era ordenado a espiar vizinho; maridos e esposas; pais e filhos;
irmãos e irmãs eram duramente forçados a dar testemunho
um contra o outro. A prisão dos Lolardos também ecoou com
o ranger das correntes; o cadafalso e estaca mais uma vez calmavam por sua
vítimas.
Para aumentar a culpa dos cristãos indiferentes de hoje, uma das
acusações comuns feitas contra aqueles crentes piedosos era,
não apenas o fato de possuírem a Bíblia de Wycliff,
mas também a sua habilidade de "repetir a mesma de cor".
Entre as muitas vítimas estavam: John Badby, alfaiate, (1410). Dois
comerciantes de Londres: Richard Turming e John Claydon, em Smithfield,
(1415). William Taylor, (1423). William White, (1428). Richard Hoveden,
(1430). Thomas Bagley, (1431) e Richard Wyche, (1440).
Joan Broughton foi a primeira mulher queimada na estaca, na Inglaterra,
perecendo em Smithfield com a filha, Lady Young, ao seu lado.
A história da verdadeira Bíblia Inglesa é bem diferente
da história da New International Version e de outras falsificações
construídas com a preferência pelos Códices Alfa e B.
É uma história banhada em sangue.
Foxe prossegue:
Um certo Christopher Shoemaker, que foi queimado vivo em Newbury, foi acusado
de ter ido à casa de John Say e "ler para ele, em um livro,
as palavras que Cristo falou aos seus discípulos..." Em 1519,
sete mártires forma jogados ao fogo em Coventry, por terem ensinado
a seus filhos e empregados a "Oração do Senhor"
e os "Dez Mandamentos" em Inglês... Jenkins Butler acusou
o seu próprio irmão de ler para ele um certo livro da Escritura
e de tê-lo persuadido a dar ouvidos ao mesmo. John Barret, joalheiro
de Londres, foi preso por ter recitado para sua esposa e criada a epístola
de São Tiago ... Thomas Phillip e Lawrence Taylor foram presos porque
leram a Epístola aos Romanos e o primeiro capítulo de São
Lucas, em inglês.
Em estranho cumprimento da analogia de Fuller, as cinzas de Wycliff nem
haviam chegado ainda à Bohêmia (atual Checoslováquia)
quando o piedoso inglês foi homenageado postumamente com o título
de "O Quinto Evangelista".
Exatamente treze anos antes que o cadáver do reformador fosse profanado,
John Hus (1372-1415) foi reconhecido como o apologista da "heresia
Wyclifiana", na universidade de Praga. A difusão da doutrina
de Wycliff por Hus resultou em que a Bohêmia recebesse a herança
de "Berço da Reforma". Schaff escreve sobre Hus:
É fato bem conhecido que era a causa de Wycliff que ele estava representando
e as visões wyclifianas que ele estava defendendo, e os escritos
de Wycliff eram abertamente expostos aos olhos dos membros das faculdades
da Universidade. Ele não fazia segredo de que seguia Wycliff e de
que desejava morrer pelas visões que Wycliff ensinava. Quando escreveu
a Richard Wiche, ele se confessou grato porque: "sob o poder de Jesus
Cristo" a Bohêmia havia recebido tanto bem da abençoada
terra da Inglaterra.
Durante o Concílio de Constança, quando Hus foi traído
e condenado à morte, a sentença oficial também provou
ter sido uma centelha inglesa que acendeu as chamas da Reforma Européia:
O Sagrado Concílio, tendo somente Deus diante dos seus olhos, condena
John Hus por ter sido e ainda ser um verdadeiro, real e declarado herege,
discípulo, não de Cristo, mas de John Wycliff.
A influência do primeiro tradutor da Bíblia pode ser rastreada,
indiretamente, ao reformador florentino Savanarola (1452-1498). Colocado
aos pés de Lutero e ao lado de Wycliff e Hus, no Monumento da Reforma,
em Worms, o dominicano convertido foi alcançado primeiramente através
do ministério dos irmãos da Bohêmia.
A preocupação de Wycliff na Escritura pode ser vista no desdém
de Savanarola pelos seus contemporâneos ignorantes, escrevendo:
Os teólogos do nosso tempo têm manchado todas as coisas com
o seu piche, através de suas incomparáveis disputas. Eles
não conhecem o mínimo de Bíblia, sim, eles nem sequer
sabem os nomes dos seus livros.
A coragem de Wycliff pode ser vista nos sermões de Savanarola descritos
por Schaff como "os raios de um coruscante e estrondoso trovão".
Denunciando os abusos costumeiros do Catolicismo ele escreveu:
Começa em Roma, onde o clero zomba de Cristo e dos santos; sim, eles
são piores do que os turcos e mouros. Fazem o tráfico de sacramentos.
Vendem benefícios para quem paga mais. Os sacerdotes de Roma não
têm cortesãs, namorados, cavalos e cachorros? Não têm
palácios cheios de tapeçarias, de sedas, de perfumes e parasitas?
Esta parece ser a igreja de Deus?
Dois anos antes de incitar a multidão a levar Savanarola até
a estaca, o perverso Alexandre VI deu ao seu corretor de apostas um "chapéu
vermelho" (ofício de cardeal) pelo que este foi zombado pelo
reformador, declarando sua preferência por uma coroa de púrpura
"tinta de sangue".
Com tanta influência brotando de um solitário tradutor inglês
durante a época do primitivo manuscrito, a invenção
do tipo móvel de Gutenberg veio destinada a "arrebentar as portas"
e com o primeiro livro completo impresso, a Bíblia de Gutenberg,
em 1456 (uma Vulgata Latina que levou seis meses para ser impressa), a proverbial
"caligrafia" foi pendurada na parede. Enquanto Martinho Lutero
chamava a arte de imprimir "o último e melhor presente da Providência"
(54), o católico Howland Phillips, num sermão pregado no "Saint
Paul Cross", em Londres, no ano de 1535, observou ameaçadoramente:
"vamos destruir a imprensa para que a imprensa não nos destrua".
A paranóia de Roma com o ressurgimento da Palavra de Deus também
se manifestou contra
o estudo do Grego e do Hebraico (vigorando desde a queda de Constantinopla
em 1458, o que forçou uma retirada ocidental dos manuscritos dos
eruditos gregos). A Universidade Conrad Hersbach de Colônia admoestou:
Eles descobriram uma língua chamada grego, contra a qual devemos
ter o cuidado de nos guardar. Ela é a mãe das heresias. Nas
mãos de muitas pessoas tenho visto um livro que chamam de Novo Testamento.
É um livro cheio de espinhos e veneno. Quanto ao hebraico, meus irmãos,
é certo que aqueles que o aprendem, mais cedo ou mais tarde irão
se tornar judeus.
